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  • ICAA Record ID
    807990
    TITLE
    [Discurso de abertura, Museo de la Solidaridad, Santiago, Chile]
    DESCRIPTION
    2p.
    LANGUAGES
    Portuguese
    TYPE AND GENRE
    Other – Letters
    BIBLIOGRAPHIC CITATION
    PEDROSA, Mário. [Discurso de abertura, Museo de la Solidaridad, Santiago, Chile]. Santiago, 1972. 2p. Carta.
    TOPIC DESCRIPTORS
    GEOGRAPHIC DESCRIPTORS
Editorial Categories [?]
Synopsis

As President of the Artistic Solidarity Committee with Chile, Mário Pedrosa addresses then President Salvador Allende Gossens during the reception ceremony for the works that would make up the collection of the Museo de la Solidaridad in Santiago. During the ceremony acknowledging donations from international artists to the recently founded institution, Pedrosa praises the nation’s choice of socialism. As the product of an historic transformation, the museum is unparalleled: solidarity with a “peripheral” people, independent in their democratic-political decision that values freedom of creation and expression. The donors make their works accessible to the Chilean people (miners and farmers), and make them part of their national patrimony. Pedrosa sees a stimulus for the people’s creativity through democratic access to the museum, which he believes will undoubtedly be a key driver of Chile’s revolutionary transformation, and underscores that the Museo de la Solidaridad will duly contribute to this transformation through its involvement in restoration, study, education, and cultural dissemination.

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Synopsis

Mario Pedrosa, na qualidade de Presidente do "Comitê de Solidariedad Artística con Chile", dirige-se ao presidente da República chilena, na cerimônia de entrega das obras que compõem o "Museo de la Solidaridad". No ato de doação, feita pelos artistas de todo mundo para o recém-criado museu, Pedrosa percebe a solidariedade para com o povo chileno e pela sua escolha do socialismo. Solidariedade que deverá existir enquanto continuar o esforço de renovação pela liberdade do povo e do governo chilenos. Nascido sob o signo de uma transformação histórica, o museu é visto como expressão maior de um feito sem equivalentes: a solidariedade de artistas de todo mundo para com um povo periférico, que inicia um processo revolucionário em direção ao socialismo, de maneira independente, segundo suas tradições democráticas, suas determinações culturais, sua fidelidade às liberdades essenciais do homem, entre elas a liberdade de expressão e criação. Os doadores destinam suas obras para o povo, para que sejam permanentemente acessíveis a ele, para que o trabalhador das fábricas, das minas, dos povoados e dos campos entre em contato com elas, considerem-nas parte de seu patrimônio. No acesso democrático ao museu, Pedrosa vê uma maneira de contribuir para o incentivo da criatividade popular, que por sua vez impulsionará a transformação revolucionária do Chile. Com o exercício exemplar de suas funções (conservação, estudo, educação e difusão cultural) o museu também deverá contribuir nesse processo.

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Mário Pedrosa delivered this speech at the inauguration of the Museo de la Solidaridad in the Chilean capital (Santiago, April 26, 1972). It was born of the efforts of President Salvador Allende Gossens (1908–73) and Pedrosa, who had been exiled in Chile after the enactment of AI-5 in Brazil (Institutional Act number 5, October 1968, which effectively annulled individual freedoms) by the military dictatorship. Together they mobilized a group of international artists in support of the Chilean democratic revolution, requesting the donation of art works to be shown within a museum of the people. With the support of the AICA (Assotiation Internationale des Critiques d’Art), the Comité de Solidaridad Artística con Chile was headed by Giulio Carlo Argan, José María Galván, and Pedrosa himself, in addition to the direct participation of poet Pablo Neruda, who was then Chile’s ambassador to France. Notable donations included works by Pablo Picasso, Frank Stella, Wilfredo Lam, Pierre Soulages, Victor Vasarely, Lygia Clark, and Sérgio Camargo, among many others. In his speech, Pedrosa emphasized the museum’s contribution to the Chilean revolution by stimulating the people’s creativity and thus reinforcing the path toward socialism. Through these words, Pedrosa explores one of the key themes of his work: the connection between art and politics, and the relationship between freedom of expression and creativity, which is expressed in his motto: “art is the experimental exercise of liberty.”

 

Mário Pedrosa (1900–81) was an intellectual and politician, and undoubtedly the key theoretician and critic on Brazilian art of the 20th century. He began as an international politics correspondent for the Diário da Noite, and beginning in the 1920s he was affiliated with the PCB (Communist Party of Brazil). He was imprisoned in 1932 because of his political militancy (Trotskyism). During the Estado Novo of Getúlio Vargas, he lived in exile in France and New York, and only returned to Brazil after the Second World War, when he worked for the Correio da Manhã. His stance against Stalinism led him to found the Vanguarda Socialista, a weekly publication. He presented a thesis on aesthetics called “Da natureza afetiva da forma na obra de arte” (1949) at the School of Architecture (Rio) that made use of his philosophical background, and his knowledge of Gestalt psychology; during that time he was also one of the founders of the AICA (1948) and also organized the International Conference of Art Critics (Brasilia, 1959). He wrote an arts column for the Tribuna da Imprensa (1950–54) and was an organizing member of the II and III São Paulo Biennials (1953 and 1955), later becoming director of the MAM-SP (1961–63). He served as secretary for the National Council of Culture during the brief government of Jânio Quadros. During the military dictatorship he took refuge in Chile, where he became director of the Museo de la Solidaridad in Santiago; after the Pinochet coup (1973), he left for Havana, where he served as secretary for the Museo de la Resistencia Salvador Allende. He only returned to Brazil in 1977 (at the beginning of the amnesty) and was the first to sign the manifesto creating the PT (Party of Workers, 1980). His vast library (which included eight thousand volumes) is partially available at the national library in Rio de Janeiro.

 

[As complementary reading, see the following texts by Mário Pedrosa in the ICAA digital archive: “Abstração ou figuração ou realismo?” (doc. no. 1085648); “Arquitetura e crítica de arte” (doc. no. 1086553); “Crise nas artes individuais” (doc. no. 1110406); “Da abstração a auto-expressão” (doc. no. 1085707); “Da lógica na apreciação artística” (doc. no. 1086587); “Debate: o artista e a crítica” (doc. no. 1110951); “Lições do Congresso de Críticos” (doc. no. 1110410); “Paulistas e cariocas” (doc. no. 1085056); “Pintura brasileira e moda internacional” (doc. no. 1126469); and “Problemas da pintura brasileira” (doc. no. 1075171)].

Leia este comentário crítico em português
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Discurso proferido por Mario Pedrosa em ocasião da inauguração do Museo de la Solidaridad, em Santiago, Chile, no dia 26 de abril de 1972. O museu nasce dos esforços do presidente Allende (1908-1973) que, junto com Pedrosa, exilado no Chile após a decretação do AI-5 pela ditadura no Brasil, organiza uma ação de mobilização internacional dos artistas em apoio à revolução chilena, na forma de doação de obras para a constituição de um museu de arte popular. Cria-se o comitê de solidariedade artística, composto por Pedrosa, J. Maria Galvan e G. C. Argan, entre outros, com apoio da AICA – Associação Internacional de Críticos de Arte. O comitê obteve apoio internacional, com destaque para a atuação de Pablo Neruda, então embaixador do Chile na França, recebendo doações de artistas como Pablo Picasso, Frank Stella, Wilfred Lam, Soulages, Vasarely, Ligia Clark e Sergio Camargo, entre muitos outros. Em seu discurso, Mário Pedrosa enfatiza a contribuição do museu para o processo revolucionario no Chile, através do incentivo à criatividade popular, que por sua vez impulsionaria a transformação em direção ao socialismo. Vê-se aqui um dos temas mais caros ao pensamento de Pedrosa, o entrelaçamento entre política e arte, entre liberdade de expressão e criação, exemplificado pela famosa frase "A arte é o exercício experimental da liberdade".

Ver também: PEDROSA, Mario. Variações sem Tema ou a Arte de Retaguarda, 1978.

a- Revisão da história da arte a partir de uma perspectiva continental

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Researcher
Equipe Brasil: José Augusto Ribeiro, Fernanda Pitta
Team
FAPESP, Sao Paulo, Brazil