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Synopsis

In this article, the artist and engineer Flávio de Carvalho outlines his thoughts on a “city of the future” inhabited by “naked men,” members of a society that has “stripped” itself of western taboos, and is finally, “free from reasoning and from thought.” His suggestions evoke and reinterpret the idea of (cultural) anthropophagy proposed by Oswald de Andrade that included the “resurrection” of primitive, savage man in his natural state, “with all his desires, all his curiosity intact and unrepressed.” In Carvalho’s vision of an anthropophagus city, capitalist property and social institutions such as matrimony would be eliminated and replaced with communal living. The “city of naked men” would be “in general, a human city,” with zones laid out in concentric rings, each of which would be devoted to a specific purpose. The arrangement of these rings would not be inspired by any sort of urban reasoning (that would provide a “central hospital”) but by psychological categories, for example an “erotic zone” where citizens could develop their “new ego, reorienting their libido and thus destroying logic.” Flávio de Carvalho delivered this lecture at the IV Congresso Panamericano de Arquitetos in Rio de Janeiro in 1930. His audience was genuinely perplexed to hear that his concept of urban design was founded on a platform of social criticism that envisioned mankind unfettered by bourgeois prejudices.

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Synopsis

 O artista e engenheiro Flavio de Carvalho postula, neste artigo, as configurações da "cidade do futuro" habitada pelo "homem nu", membro de uma sociedade "despida" dos tabus do Ocidente, "livre para o raciocínio e o pensamento". As formulações retomam e interpretam a antropofagia de Oswald de Andrade, apontando a "ressurreição" do homem primitivo, selvagem, tal como ele aparece na natureza, "com todos os seus desejos, toda a sua curiosidade intacta e não reprimida". A cidade antropofágica, nos termos do autor, suprimiria princípios como o de propriedade capitalista e instituições sociais como a do matrimônio, para se tornar um espaço pertencente à coletividade. A "cidade do homem nu" seria, "toda ela, a cidade do homem", com regiões organizadas em anéis concêntricos e finalidades específicas, estabelecidas não somente por um raciocínio urbanista, ao prever um "centro hospitalar", por exemplo, mas também de acordo com categorias psicológicas, a exemplo da existência de uma "zona erótica", onde o cidadão forma o seu "novo ego, orienta a sua libido e destrói o ilógico". A proposta foi apresentada no IV Congresso Panamericano de Arquitetos, no Rio de Janeiro, em 1930, e causou perplexidade na platéia por traçar um projeto de urbanismo baseado, sobretudo, numa imagem, a do homem livre dos preconceitos burgueses.

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Annotations

Over the course of his controversial career, the author focused mainly on the expression of psychological ideas in a variety of media, including the visual arts, the theater, and architecture. In this essay on “the city of naked men” he relies on ideas inspired by Freudian psychoanalysis to present his urban design project whose implementation sounds fantastic because it is largely based on “the mental renewal” of the citizens involved. 

 

Flávio de Carvalho gave this lecture in Rio de Janeiro at the IV Congresso Panamericano de Arquitetos, where he spoke as a representative of the “anthropophagus ideology” that had been advocated in São Paulo since 1928 by a group of Brazilian modernists including: Oswald de Andrade, Raul Bopp, Oswaldo Costa, Clóvis Gusmão and many others. There is a substantial contradiction in de Carvalho’s ideas, a conflict between an urban environment devoted to the (erotic or even irrational) pleasure of primitive man, and the rational approach to modern architecture that was then in vogue (influenced by Le Corbusier) and was essentially focused on the practical functionality of the organization of the city.

 

Even at an institutional level Flávio de Carvalho (1899–1973) never ceased to advocate his experimental ideas. He joined forces with the painters Emiliano Di Cavalcanti, Carlos Prado, and Antonio Gomide to found the CAM (Club de los Artistas Modernos) in São Paulo, whose initial goal was to promote activities such as “group events presented in public spaces”—see his essay “Recordação do Clube dos Artistas Modernos” [ICAA digital archive, doc. no. 781340]. Not satisfied with the concept of CAM—which hosted speakers from among the ranks of unconventional critics such as Mário Pedrosa and Caio Prado and the muralist “speaker,” as he describes David Alfaro Siqueiros (doc. no. 777225)—de Carvalho pushed his urban ideas to even more radical limits with an “experimental laboratory” at the CAM premises in which his transformative concept became more feasible when he sought to express it in a theatrical performance rather than through the citizens involved; see “A epopéia do teatro da experiencia e o bailado do deus morto” (doc. no. 780339). 

  

To refer to de Carvalho’s complementary text to this document, see “A única arte que presta é a arte anormal” (doc. no. 1084943). Regarding several references made by de Carvalho to a key text for a number of writers from that period, which was an essential source for his naked man thesis, see the 1928 “Manifesto antropófago” (doc. no. 771303).

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Annotations

Flavio de Carvalho privilegiou, ao longo de sua trajetória, a aplicação de noções psicológicas no pensamento sobre as expressões artísticas, sejam elas as artes plásticas, as cênicas ou a arquitetura. Neste texto sobre a "cidade do homem nu", o artista e engenheiro nascido no Rio de Janeiro convoca a psicanálise freudiana para o desenho de um projeto urbanista de implantação quase fantástica, porque alicerçado, em boa parte, na "renovação mental" do homem.
O autor se apresenta no IV Congresso Panamericano de Arquitetos com esta tese, na figura de representante da "ideologia antropofágica", iniciada em São Paulo, na segunda década do século XX, por Oswald de Andrade, Raul Bopp, Oswaldo Costa, Clóvis Gusmão e outros. A proposição de um urbanismo destinado ao prazer (também erótico) do homem selvagem contrasta, em alguns aspectos, com o racionalismo da arquitetura moderna então em voga, alicerçado basicamente no funcionalismo prático da organização da cidade.

 

Ver também:

Andrade, Oswald de. Manifesto Antropófago. Revista de Antropofagia, São Paulo, v.1, n.1, p.3-7, maio 1928.

 

b- Arquitetura moderna e urbanismo

b- Primitivismo modernista

f- Imaginário fantástico

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Researcher
Equipe Brasil: José Augusto Ribeiro
Team
FAPESP, Sao Paulo, Brazil
Credit
Courtesy of Ricardo de Carvalho Pisciotta, Sao Paulo, Brasil
Location
Acervo Pessoal Ana Maria Belluzzo