Documents of 20th-century Latin American and Latino Art

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  • ICAA Record ID
    1111401
    TITLE
    Um azar histórico: desencontros entre moderno e contemporâneo na arte brasileira
    NOTES

    Publicado posteriormente em:

    Naves, Rodrigo. Um Azar histórico: Desencontros entre Moderno e Contemporâneo na Arte Brasileira. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. p.192-222.

    IMPRINT
    São Paulo, Brasil : Cebrap, nov. 2002
    DESCRIPTION
    17p.
    LANGUAGES
    Portuguese
    TYPE AND GENRE
    Journal article – Essays
    BIBLIOGRAPHIC CITATION
    NAVES, Rodrigo. Um azar histórico: desencontros entre moderno e contemporâneo na arte brasileira. Novos Estudos CEBRAP, São Paulo: CEBRAP, n.64, p.5-21, nov. 2002.
    GEOGRAPHIC DESCRIPTORS
Editorial Categories [?]
Synopsis

This article compares the complex and contradictory movements in Brazilian visual arts between the late 1950s and the early 1990s. To the well-known Brazilian critic Rodrigo Naves, the disruption took place just when the work created by the most distinguished artists of the early 1980s was achieving visibility and critical acceptance. At the height of these developments, with high-quality art being produced, a reversal took place, interrupting the formation of a Brazilian art system based on Modern art assumptions. The new movement, which had arisen in the United States and Europe in the 1960s, rejected the autonomy of art and defended the link between art and life. This somersault laid down the guidelines for acceptance. With a foundation of standards foreign to its origins, the contemporary work was eclipsed by a biased understanding of the work of Hélio Oiticica, Lygia Clark and Mira Schendel, unrelated to their native Constructive tradition and “very closely tied” to multiculturalism. Thus understood, such works came to be considered the standard by which all artwork produced in the entire great expanse of Brazil would be measured. At the same time that this was harmful to other approaches (including those of their contemporaries), such standards also defined what it meant to “surpass” the formalism of the earlier art, which came to be cast in a negative light.

Leia esta sinopse em português
Synopsis

O artigo descreve um movimento complexo e contraditório nas artes brasileiras entre fins da década de 1950 e começo dos anos 90. Para Naves, ao mesmo tempo em as obras dos melhores artistas modernos brasileiros obtinham, nos início dos anos 1980, uma visibilidade e uma recepção crítica à altura de sua qualidade estética, fazendo coincidir qualidade artística e reconhecimento público, deu-se um revés que interrompeu o processo de formação de um sistema de artes no Brasil baseado nos pressupostos modernos. Este revés, caracterizado pela adoção da postura de recusa da autonomia da arte e defensor de uma aproximação entre arte e vida, surgido nos Estados Unidos e na Europa nos anos 1960, acaba por pautar a recepção dessa produção moderna. Avaliada por critérios alheios a sua origem, essa produção é eclipsada por um entendimento enviesado das obras de Hélio Oticica, Lygia Clark e Mira Schendel, dissociado da tradição construtiva a que se reportam e atrelado ao multiculturalismo. As obras de tais artistas passam a ser consideradas critério de medida para toda produção artística feita no Brasil, em detrimento de outras proposições, inclusive de seus contemporâneos, demarcando uma pretensa "superação" do formalismo da arte anterior, que passa a ser considerado negativamente.

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Annotations

It is true that the writer clearly stated that he was not proposing a program for Brazilian art criticism and history. However, this essay by the intellectual and professor Rodrigo Naves (b. 1955) may be read as an attempt at systematizing the lacunas in Brazilian art criticism, whether in Modern or contemporary art. The essay emphasizes the importance of the exhibition Opinião 65, at the Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, as the frame for the cultural repercussions of the arts starting in the 1960s, in addition to the undeniable maturity of the art milieu. Naves reminds us of the importance to Brazil of visiting exhibitions by the U.S. artists Barnett Newman, Donald Judd and Frank Stella. Shown at the São Paulo biennials in the 1970s, their experimental, minimalist investigations exercised great influence on some of the artists of the next generation. The writer highlights the process of the development of art criticism in Brazil during that same period due to the brilliant performance of Mario Pedrosa, Ferreira Gullar and Frederico Morais, as well as the journal Malasartes, which appeared in the mid-1970s. Finally, Naves performs a thoughtful analysis of the “reorientation” that befell the developing Brazilian art system during the 1980s. As to the cause, he believes a key factor was the “multiculturalist acceptance” of the work of Lygia Clark, Hélio Oiticica and Mira Schendel. In other words, Naves identifies a certain progressive theory of the arts that underlies the critical analysis applied to such artists, which then are considered as a point of departure toward forms of art deemed “superior” to those that went before them. 

 

Art historian, critic, university professor and even writer of fiction, Rodrigo Naves was editor of the supplement Folhetim, of the Folha de São Paulo, as well as of the journal Novos Estudos. He is currently director of the publishing project Espaços da Arte Brasileira for the publisher Cosac Naify.

 

The theme of contradiction (and obviously, ideological hypocrisy) runs through many years of Naves’s criticism of Brazilian art history.
Leia este comentário crítico em português
Annotations

Embora afirme que não propõe um programa para a crítica e história da arte brasileira, o texto do crítico e professor Rodrigo Naves bem pode ser compreendido como uma tentativa de sistematização das lacunas da recepção crítica da arte brasileira moderna e contemporânea. Ressalta a importância da exposição "Opinião 65", no MAM-RIo, como marco da repercussão cultural que as artes passam a alcançar a partir dos anos 1960 e do amadurecimento de seu meio artístico. Lembra da importância da vinda das obras de Barnett Newman, Donald Judd e Frank Stella, presentes nas Bienais dos anos de 1960, cuja pesquisa minimalista influencia a arte brasileira a partir da década seguinte. Conjuga a esse processo o aparecimento de uma crítica de arte consistente no Brasil, no mesmo período, representada pela atuação de Mario Pedrosa, Ferreira Gullar e Frederico Morais e o surgimento de Malasartes, em meados dos anos 1970. Analisa, finalmente, a reorientação desse processo, nos anos 1980, a partir da recepção "multiculturalista" das obras de Lygia Clark, Helio Oiticica e Mira Schendel, identificando uma certa teoria do progresso das artes subjacente às análises críticas desses artistas, considerados o ponto de passagem para formas de arte superiores às praticadas anteriormente.

 

Ver também:

NAVES, Rodrigo. Cultura como Abre-Alas, O Estado de S.P, Caderno 2, 02 de outubro de 2005.
BRETT, Guy. Brasil Experimental. Rio de Janeiro: Contracapa, 2005

 

m- modernidade e globalização

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Researcher
Equipe Brasil: Fernanda Pitta
Team
FAPESP, Sao Paulo, Brazil
Credit
Reproduzido com o consetimento do autor, São Paulo, BR
Location
Biblioteca da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - FFLCH/USP