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Synopsis

In this article, the architect and visual artist Sérgio Ferro criticizes the state of Brazilian architecture, especially in São Paulo, during the period in the 1960s, known as post-Brasilia. He takes a radical and critical approach by exposing the flaws and shortcomings in the production process and in the formal and ethical values advocated by the famous maestros of modern Brazilian architecture, Oscar Niemeyer and Francisco Vilanova Artigas. Ferro is referring to the distortion of the axiology of a “sober and direct” aesthetic that is still concerned with “large scale collective needs.” While the country suffers under a military dictatorship and cultural censorship, Ferro protests the segues and “mannerisms” affected by new architects, which separate “structure and density” from content and reality, even resorting to exaggeration in their language; he reveals his “discomfort” faced with a country that is falling apart. Ferro discusses the dead-end situation in which Brazilian architects find themselves, and quotes Marx in his vehement criticism of the production system of which architecture is a part—during both the design and the execution phases—while pointing to the alienation in architectural work and the inability of “new” generations to establish critical positions. At that time, architecture contributed “truths in and of themselves” by bringing up a contradiction whose “crystalized technique” is oblivious to social reality. Ferro also criticizes the “fad for seeing architecture as a system of signs,” warning his readers about this semiotic hazard that separates “men from things,” depriving them of hands-on experience.  

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Synopsis

O arquiteto e artista Sérgio Ferro denuncia as condições da arquitetura brasileira, principalmente paulista, no período pós-Brasília (1960). Sua posição, extremamente crítica e raivosa, revela a falência do processo produtivo e dos valores formais e éticos colocados pelos mestres da arquitetura moderna, Oscar Niemeyer e Vilanova Artigas. Ou seja, o disvirtuamento de valores de uma estética "sóbria e direta", preocupada com "as grandes necessidades coletivas". No momento em que o pais vive a ditadura e a censura cultural, Sergio Ferro atenta para os desvios e "maneirismos" dos novos arquitetos, que fizeram com que "estrutura e densidade" perdessem seus vínculos de conteúdo e realidade e se tornassem exageros de linguagem, refletindo o "mal estar" pelo desmantelamento de um projeto de país. Revela, então, o impasse a que chegaram os arquitetos e a pratica da profissão. Critica com veemência marxista o sistema produtivo do qual a arquitetura participa, no momento do projeto e da construção, aponta a alienação do trabalho do arquiteto e a incapacidade dos "novos" manterem posições criticas. A arquitetura daquele momento traz "verdades em si", ao deixar claro a contradição de uma "técnica cristalizada" sem vinculo com a realidade social. Ferro também critica a "moda de ver a arquitetura como sistema de signos", alertando para o perigo do afastamento entre "homem e coisa" e para a perda da experiência concreta.

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Architect and visual artist Sérgio Ferro (b. 1938) graduated while Brasilia was under construction (1956–61); he worked for the architect Francisco Vilanova Artigas (in São Paulo), who was also his teacher, as was Flávio Motta. Ferro, Rodrigo Lefèvre (another architect), and the set designer Flávio Império started the group Nova Arquitetura. Ferro was a fierce critic of the profession, of its medium (drawing), and of what it produced. While still a student, he proposed discussing class struggle and the desirability of creating an alliance between construction workers and drawing specialists that could generate a different aesthetic based on “a poetics of the economy” that would address truly national problems. Both Ferro and Lefèvre had to get out of Brazil during the military dictatorship (1964–85); Ferro became a professor of architecture at the Université de Grenoble (France) in 1972; Lefèvre met a tragic death on a construction site in Guinea-Bissau in the mid-1980s.

 

In this article, Ferro is still criticizing the semiotic theory he learned in Italy in 1965 from Umberto Eco. This is undoubtedly one of Ferro’s most caustic articles, which became the basis for the discussion he initiated in 1976 in “O Canteiro e o desenho” [The Jobsite and the Drawing]. The magazine Teoria e Prática was published over a period of two years (1967–68) and was then shut down by the military dictatorship on the grounds that it was discussing subjects related to Brazilian international culture and social sciences.   

 

[As complementary reading, see the following articles by the author in the ICAA digital archive: “A forma da arquitetura e o desenho da mercadoria” (doc. no. 1111152); “Os limites da denúncia” (doc. no. 771159); “Pintura nova” (doc. no. 1090696); and “Vale tudo” (doc. no. 1090648)]. 

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Sergio Ferro é arquiteto e artista. Formou-se durante a construção de Brasília e trabalhou no escritório de Vilanova Artigas; discípulo do mestre e de Flavio Motta, fundou o grupo Nova Arquitetura com Rodrigo Lefèvre e Flavio Império. Critico voraz da profissão e de seu meio de expressão, o desenho, Sergio Ferro propõe, desde estudante, um debate em que a questão da luta de classe e de uma aliança possível entre operários da construção e técnicos do desenho pudesse fazer nascer uma outra estética, pautada por uma "poética econômica" e capaz de propor frente aos problemas nacionais. Neste artigo revela-se, ainda, a sua posição crítica em relação à teoria semiótica aprendida no curso com Umberto Eco em 1965, na Itália. Certamente este artigo é dos mais incisivos do autor e um ponto de partida para o debate de sua obra formulado em "O Canteiro e o desenho" em 1976. A revista "Teoria e Prática" existiu apenas nos anos de 1967-1968; fechada pela ditadura militar, tratava de temas culturais e de ciências sociais brasileiras e internacionais.

 

e- Reflexões sobre arte e produção

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Researcher
Marina Grinnover
Team
FAPESP, Sao Paulo, Brazil
Location
Arquivo pessoal Ana Maria Belluzzo