Documents of 20th-century Latin American and Latino Art

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Synopsis

To start with, the newspaper’s editorial statement was very clear concerning the basic purpose of A parte do fogo [The Fire’s Part]: to take part in Brazil’s cultural process and create a space devoted to reflection and to the production of contemporary art. In the opinion of all the artists and critics who signed the text, a large part of the theory of art is the “simple renewal of a mythical and arbitrary connection between art and society,” which, ultimately, stifles the formulation of all the burning questions of contemporary art. When the military government under General João Baptista de Figueiredo (1979–84) announced the “slow and gradual” relaxation of the Brazilian dictatorship (1964–85), this text revealed the ideological mask that had been pulled over the idea of a “democratic and popular” culture that was committed to open, nation-wide expression. What worried the signatories was the possibility of an “opening up” style of rhetoric that was still authoritarian and that reinforced “eventual [artistic] languages of openness.” In cultural terms, the constant process of opening up meant, in their opinion, to discover “conflict regions” that are incompatible with the rules of the art circuit, to expose the contradictions that resist the attempted homogenization of artistic production; to clarify, in a word, which is “the fire’s part.” 

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Synopsis

O editorial afirma, de saída, o propósito do jornal "A parte do fogo": intervir no processo cultural brasileiro e conquistar um espaço para o pensamento e a produção de arte contemporânea. Para os artistas e críticos signatários deste texto, boa parte da teoria da arte é a "simples renovação de uma mítica e arbitrária relação entre arte & sociedade", o que acabava por impedir a formulação das questões da arte contemporânea. Publicado no momento em que o governo militar anuncia a "lenta e gradual" distensão da ditadura (1963-1985), o escrito alerta para a máscara ideológica que encobre as noções de uma cultura "democrática e popular" comprometida com a totalidade de uma expressão brasileira. Preocupava os autores a possibilidade de uma retórica de "abertura" ainda autoritária recalcar "eventuais linguagens [artísticas] de abertura". No campo cultural, este trabalho permanente de abertura implicaria, segundo o texto, descobrir as "regiões do conflito" incompatíveis com as regras do circuito de arte; pôr a nu as contradições que resistem à tentativa de homogeneização da produção artística; e explicitar, enfim, "a parte do fogo".

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Annotations

The independent newspaper A parte do fogo published its only issue in 1980. It was published by the artists Cildo Meireles, José Resende, Tunga and Waltercio Caldas and the critics João Moura Jr., Paulo Venancio Filho, Paulo Sérgio Duarte, Rodrigo Naves, and Ronaldo Brito. The newspaper’s editorial supports the creation of a hitherto nonexistent space devoted to “the action” involved in the production of a work of art and the process of thinking about it. Shortly after the military government’s official announcement of the forthcoming re-democratization of Brazil, after two decades of discussion, the text is a warning against the authoritarianism that is still part of a cultural policy that seeks to define a Brazilian identity based on a rhetoric “of conciliation.” This is one of the texts proposed by the generation that emerged in the 1960s and 1970s and sought to create guidelines for the production of art in Brazil at a time when the country was in a state of total political and democratic transition.   

 

In reference to this matter, see “O boom, o pós-boom e o dis-boom”, the text that was circulated and signed by Carlos Zilio, José Resende, Ronaldo Brito, and Waltercio Caldas [doc. no. 1110451].

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Annotations

O jornal independente "A parte do fogo" publicou um único número, em 1980, editado pelos artistas e críticos Cildo Meireles, José Resende, João Moura Jr., Paulo Venancio Filho, Paulo Sergio Duarte, Rodrigo Naves, Ronaldo Brito, Tunga e Waltercio Caldas. O editorial da publicação defende um programa voltado a produzir um espaço até então inexistente para a "ação" do trabalho de arte e do pensamento sobre arte. Logo após o anúncio da redemocratização do país pelo governo militar, o texto adverte para o autoritarismo contido numa política cultural em busca da identidade brasileira a partir de uma retórica "conciliadora". Trata-se de um dos textos de intervenção produzidos pela geração que desponta na virada dos anos 1960 para os 1970, disposta a colocar em pauta as condições da produção de arte no Brasil em pleno momento de transição política.

 

Ver também: "O boom, o pós-boom e o dis-boom", assinado por Carlos Zilio, José Resende, Ronaldo Brito e Waltercio Caldas.

 

e- Atuação crítica dos artistas. Ações em defesa da liberdade artística

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Researcher
José Augusto Ribeiro
Team
FAPESP, Sao Paulo, Brazil
Credit
Cildo Meireles, José Resende, João Moura Jr., Paulo Venancio Filho, Paulo Sergio Duarte, Rodrigo Naves, Ronaldo Brito, Tunga e Waltercio Caldas, 1980.
Reproduzido com o consetimento de Cildo Meireles, Rio de Janeiro e Rodrigo Figueira Naves, São Paulo, BR
Location
Acervo Pessoal Rodrigo Naves