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  • ICAA Record ID
    1110660
    TITLE
    A polícia também foi ao teatro no sábado
    IN
    O Estado de S. Paulo ( São Paulo, Brasil). --- Jun. 10, 1968
    DESCRIPTION
    p. 24 : ill.
    LANGUAGES
    Portuguese
    TYPE AND GENRE
    Newspaper article – notes
    BIBLIOGRAPHIC CITATION
    O Estado de S. Paulo (São Paulo, Brazil). "A polícia também foi ao teatro no sábado." June 1, 1968, 24.10 jun. 1968.
    GEOGRAPHIC DESCRIPTORS
Editorial Categories [?]
Synopsis

This newspaper article reports on the raid carried out at the Teatro Ruth Escobar, in São Paulo, on June 8, 1968, when federal police violently shut down the Iª Feira Paulista de Opinião, an event produced by the Teatro de Arena group and directed by Augusto Boal. The production was subsequently moved to the Teatro Maria Della Costa, where it was presented during the interval of O homem do princípio ao fim, the humorous play by Millôr Fernandes, staged by Fernando Torres. The newspaper reports that the Iª Feira Paulista de Opinião was therefore a victim of the censorship imposed by the Brazilian military regime (1964–1985). The show was later given an official green light, after the censors had made eighty-four cuts. Rather than comply with the cuts suggested by the Board of Censorship, Augusto Boal opted for “civil disobedience,” according to the press report. The article quotes from interviews with members of the Teatro de Arena theater company and the Federal Police force, and describes the repressive measures of the authorities and the dedication of the cast to their art in moving the event to another theater.

Leia esta sinopse em português
Synopsis

A reportagem noticia a ocupação pela Polícia Federal do teatro Ruth Escobar, em São Paulo, em 8 de junho de 1968, a fim de impedir a encenação da peça "I Feira Paulista de Opinião", do grupo Teatro de Arena, com direção de Augusto Boal. Transferida para o teatro Maria Della Costa, a apresentação do espetáculo naquela noite ocorreu durante o intervalo de "O homem do princípio ao fim", peça de Millôr Fernandes, em montagem dirigida por Fernando Torres. O jornal informa que a "I Feira Paulista..." fora submetida à Censura do regime militar (1964-1985) e liberada, em seguida, com 84 cortes. Sem acatar as supressões impostas à dramaturgia pelos censores, Augusto Boal teria optado pela "desobediência civil", segundo a reportagem. O texto traz depoimentos de integrantes da companhia Teatro de Arena e da Polícia Federal, além de narrar a ação repressora e a decisão dos artistas de levar o espetáculo para outro espaço cênico.

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Annotations

According to the newspaper report, the “protest” event, the Iª Feira Paulista de Opinião consisted of theatrical pieces by a number of writers (Augusto Boal, Lauro César Muniz, Jorge Andrade, Bráulio Pedroso, Gianfrancesco Guarnieri, and Plínio Marcos). The show also included poetry (by Mario Chamie and Pablo Neruda), visual works of art (by Flávio Império, Aldemir Martins, Maria Bonomi, Manabu Mabe, Nelson Leirner, and Marcello Nitsche), and music (by Caetano Veloso, Chico Buarque de Holanda, Edu Lobo, Gilberto Gil, Sérgio Ricardo, and Ari Toledo), all under the umbrella of the Teatro de Arena. Conceived by Augusto Boal in 1968, the show sought to present a series of artistic answers to the question: “What do you think about Brazil at this particular point in time?” This was a subtle reference to the living conditions under the political and military repression imposed by the dictatorship that lasted for two decades. Over the course of time, the show because a symbol of resistance to the regime’s “state of emergency” as a result of the Teatro de Arena’s steely resolve to present the complete event, ignoring the cuts imposed by the censorship of the authorities.

Leia este comentário crítico em português
Annotations

Descrita na reportagem como um espetáculo "de protesto", a "I Feira Paulista de Opinião" consistiu na apresentação de peças teatrais (de Boal, Lauro César Muniz, Jorge Andrade, Bráulio Pedroso, Gianfrancesco Guarnieri e Plínio Marcos), poesias (de Mario Chamie e Pablo Neruda), trabalhos de artes plásticas (de Flávio Império, Aldemir Martins, Maria Bonomi, Manabu Mabe, Nelson Leirner e Marcello Nitsche) e músicas (de Caetano Veloso, Chico Buarque, Edu Lobo, Gilberto Gil, Sérgio Ricardo e Ari Toledo), pelo grupo Teatro de Arena. Concebida por Augusto Boal, em 1968, a obra pretendia reunir uma série de manifestações artísticas que respondessem à pergunta: "O que você pensa do Brasil hoje?", em referência ao clima de repressão da ditadura militar. O espetáculo acabou por se tornar um símbolo de resistência ao então regime de exceção, pela decisão do Teatro de Arena de prosseguir com a montagem integral, sem atender aos cortes previamente impostos pelo órgão censor da Polícia Federal.

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Researcher
José Augusto Ribeiro
Team
FAPESP, Sao Paulo, Brazil
Location
Acervo Pessoal Marcello Nitsche