Documents of 20th-century Latin American and Latino Art

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  • ICAA Record ID
    1110460
    TITLE
    Quando ouço falar em cultura, puxo o meu revolver
    IN
    Estado de Minas (Belo Horizonte, Brasil). -- Jun. 14, 1944
    DESCRIPTION
    p. 2
    LANGUAGES
    Portuguese
    TYPE AND GENRE
    Newspaper article – notes
    BIBLIOGRAPHIC CITATION
    Quando ouço falar em cultura, puxo o meu revolver. Estado de Minas, Belo Horizonte, 14 jun. 1944. p.2.
    GEOGRAPHIC DESCRIPTORS
Synopsis

This is the report filed by the Meridional news agency about the attack on the paintings on display at the Exposição de Arte Moderna, the event sponsored in 1944 by the municipality of Belo Horizonte, Minas Gerais. The report included statements from Brazilian artists and intellectuals who commented on the incident. The painter Lasar Segall, for example, said that those responsible were no different from those who used the term “degenerate art” to describe the works shown at the previous year’s retrospective at the Museu Nacional de Belas Artes, in Rio de Janeiro. In Segall’s opinion, those who claim to be opposed to modern art in Brazil are merely puppets of Adolf Hitler’s Propaganda Minister, Josef Goebbels, whose quote is used as the title of the article: “As soon as I hear people speak about culture, I take out my revolver.” Other Brazilian intellectuals—including the poet Carlos Drummond de Andrade, the movie critic Paulo Emilio Salles Gomes, the art critic Lourival Gomes Machado, and the artist Lívio Abramo—also spoke out against the attack, describing the destruction of works of art as a reactionary, fascist act.   

 

Leia esta sinopse em português
Synopsis

A reportagem da agência de notícias Meridional registra o atentado contra pinturas presentes na Exposição de Arte Moderna promovida pela prefeitura de Belo Horizonte, em Minas Gerais, em 1944, e reproduz depoimentos de artistas e intelectuais do país sobre o incidente. O artista Lasar Segall, por exemplo, diz que os responsáveis pelo episódio não se diferem em nada daqueles que chamaram de "arte degenerada" os trabalhos presentes à sua mostra retrospectiva no Museu Nacional de Belas Artes, no ano anterior. Para Segall, os contrários à arte moderna no Brasil são aprendizes do ministro da propaganda de Adolf Hitler, Josef Goebbels, autor da frase que dá título à matéria. Também o poeta Carlos Drummond de Andrade, o crítico de cinema Paulo Emilio Salles Gomes, o crítico de arte Lourival Gomes Machado e o artista Lívio Abramo classificam, aqui, a destruição das obras como uma atitude reacionária e fascista.

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Annotations

This article condemns the destruction of eight of the paintings on display at the Exposição de Arte Moderna, the exhibition organized in 1944 by the painter Alberto da Veiga Guignard (1896–1962) and the writer J. Guimarães Menegale (1898–1965), and presented at the Municipalidad de Belo Horizonte. The attack was carried out by a group who, according to the newspaper report, entered the space at night carrying posters with anti-modern art statements. They were mainly interested in targeting Mendigos, the painting by the artist Tomás Santa Rosa (1909–56). Carlos Drummond de Andrade, Paulo Emilio Salles Gomes, Lourival Gomes Machado, and Lívio Abramo denounced the attack as a “fascist” act. The exhibition, which was the brainchild of the mayor (and future president of Brazil, 1956–60) Juscelino Kubitschek, included 130 works by 46 artists. Its impact as one of the most influential modernist events in the country earned it the nickname “Semaninha da Arte Moderna.”    

 

While the exhibition was in progress, two caravans of artists and intellectuals from São Paulo and Rio de Janeiro made the trek to Belo Horizonte to attend a parallel series of conferences. Within the field of visual arts, the exhibition and conferences were an integral part of Kubitscheck’s plan to modernize the city. This grand plan included, among other initiatives, the opening of the Pampulha architectural complex (1943), and the founding of the Instituto de Belas Artes (the following year) with an inaugural speech given by the painter Alberto da Veiga Guignard, who was considered a key figure in the introduction of modern art in the state of Minas Gerais.     

 

In addition to Santa Rosa and Lasar Segall (1891–1957), the other artists whose works were shown at the exhibition were: Alfredo Volpi (1896–1988), Anita Malfatti (1889–1964), Roberto Burle Marx (1909–94), Candido Portinari (1903–62), Emiliano Di Cavalcanti (1897–1976), Djanira da Motta e Silva (1914–79), Tarsila do Amaral (1886–1973), Victor Brecheret (1894–1955), Iberê Camargo (1914–94), Milton da Costa (1915–88), Oswald de Andrade Filho (1914–72), José Moraes (1921–2003), and Hilda Campofiorito (1901–97). 

Leia este comentário crítico em português
Annotations

O artigo noticia a destruição de oito pinturas durante a Exposição de Arte Moderna de 1944, realizada na prefeitura de Belo Horizonte, sob a organização do artista Alberto da Veiga Guignard e do escritor J. Guimarães Menegale. O atentado perpetrado por um grupo de visitantes da mostra - que, segundo o jornal, invadiu o espaço à noite, portando lâminas para promover uma reação contrária à arte moderna - teve entre seus alvos a obra "Mendigos", de Santa Rosa. A exposição produzida pelo então prefeito da capital de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek, reuniu mais de 130 obras, de 46 artistas, e notabilizou-se como um dos mais importantes eventos difusores do modernismo no país à época, ganhando o apelido de "Semaninha da Arte Moderna". Durante o período da exposição, duas caravanas de artistas e intelectuais de São Paulo e Rio de Janeiro viajaram a Belo Horizonte para um ciclo paralelo de palestras. A mostra e as conferências integravam, no campo das artes plásticas, o plano de modernização da cidade implementado por Kubitschek. Tal projeto compreendia, entre outras iniciativas, a inauguração do complexo da Pampulha, em 1943, e a fundação do Instituto de Belas Artes, no ano seguinte, com aula inaugural do pintor Alberto da Veiga Guignard, tido como figura-chave no incentivo à arte moderna em Minas Gerais.

b- Resistência ao modernismo

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Researcher
Equipe Brasil: Marco Andrade
Team
FAPESP, Sao Paulo, Brazil