Documents of 20th-century Latin American and Latino Art

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  • ICAA Record ID
    1110454
    AUTHOR
    Correa, José Celso Martinez
    TITLE
    O Rei da Vela : Manifesto do Oficina / José Celso Martínez Corrêa
    IMPRINT
    [s.l.] : [s.n.], 1967
    LANGUAGES
    Portuguese
    TYPE AND GENRE
    Loose leaf – Program
    BIBLIOGRAPHIC CITATION
    Corrêa, José Celso Martínez. O Rei da Vela - Manifesto do Oficina. [s.l.]: [s.n.], 4 set. 1967.
    NAME DESCRIPTORS
    GEOGRAPHIC DESCRIPTORS
Synopsis

The theatre group Oficina’s use in 1967 of Oswald de Andrade’s 1933 novel O rei da vela [The Candle King] to re-inaugurate their stage expressed the desire of the company, which was led by José Celso Martinez Corrêa, to offer a new dramatic perspective and their reality as a nation that had been oppressed by a military dictatorship for three years. In Andrade’s text, Oficina found “praise of the bad taste of appearances” written by a “cruel and implacable cannibal,” author of such axioms as: “I joke therefore I exist,” paraphrasing Descartes and indicating the impossibility of Brazil as a nation of the future. O rei da vela agonizingly presents the ongoing desire of the Brazilian people to affirm opportunism as their indigenous and unique national ideology. Nevertheless, Oficina’s staging was not meant to present a narrative, but rather to show Brazil as a spectacle, an opera, a circus… The group adopted this grotesque comical parody in order to dramatize the “collage” of the 1930s. In the director’s judgment, “Zé Celso,” presenting the work three decades after it was written amounted to a condemnation of the ongoing existence and decadence of its characters, which were still relevant when the play was staged at the end of the 1960s. The text—presented as a manifesto-spectacle—describes the three acts of the piece.

Leia esta sinopse em português
Synopsis

A opção por montar a peça "O rei da vela", de Oswald de Andrade, para a reinauguração da sala do grupo de teatro Oficina, em 1967, atendia ao desejo da companhia e de seu diretor, José Celso Martinez Corrêa, de apresentar uma nova visão das artes cênicas e da realidade brasileiras. No texto de Oswald de 1933, nunca antes encenado, o Oficina encontrou um "elogio do mau gosto da imagem", escrito por um "antropófago cruel e implacável", autor de axiomas do tipo: "Esculhambo, logo existo", parafraseando Descartes para anunciar a inviabilidade do Brasil como país do futuro. O protagonista de "O rei da vela" representa o empenho do homem brasileiro em manter, a todo custo, a "autóctone e única" ideologia nacional, o oportunismo. O espetáculo, porém, não pretendia narrar uma história, e sim mostrar o Brasil nos termos de um show, um teatro de revista, uma opereta, um circo. A paródia e o humor grotesco foram as formas adotadas pelo grupo para encenar essa "colagem" sobre o Brasil de 1930. Apresentá-la 30 anos depois continha, na visão de Martinez Corrêa, a denúncia da permanência e da velhice de seus personagens, ainda atuais em meados da década de 1960. O texto se encerra com uma descrição dos três atos da peça, anunciada aqui como espetáculo-manifesto.

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Annotations

Under the direction of José Celso Martinez Corrêa (b. 1937), Oficina’s staging of O rei da vela by Oswald de Andrade (1890?1954) inaugurated the company’s new architectural space, which included a cyclorama, in 1967 (a year after a fire had destroyed the facility). The show was dedicated to the director of Brazilian Cinema Novo, Glauber Rocha, who shortly before had completed the film Terra em transe. Produced for the first time in the three decades since its publication, O rei da vela was presented as a “manifesto-spectacle.” In fact, its staging became the theatrical representation of the then-thriving Tropicalism movement, based on its visuals and interpretations using parody, and the grotesque and irreverent. The singer-songwriter Caetano Veloso stated in his book Verdade tropical (1997)—a paronym of the bolero by Gonzalo Curiel Vereda tropical—that he was present at one of the shows days after he had written the music for Tropicália, whose title was suggested by the filmmaker Luis Carlos Barreto, and was inspired by the homonymous work by Hélio Oiticica. Andrade’s book communicates the under-development and economic dependence that afflicts Brazil through the saga of a candle factory owner on the brink of bankruptcy because of his debts to a Yankee imperialist.

 

[As a complementary reading on the Tropicalist movement, see in the ICAA digital archive the article (anonymous) [“O tropicalismo é nosso, viu? (…)”] (doc. no. 1110422); by Oiticica “Tropicália” (doc. no. 1074985); and by Mário Chamie “O trópico entrópico de Tropicália” (doc. no. 1075019)].

Leia este comentário crítico em português
Annotations

A montagem do grupo Oficina, com direção de José Celso Martinez Corrêa, da peça "O rei da vela", de Oswald de Andrade, inaugurou uma nova arquitetura da sala de espetáculos da companhia, com palco giratório, em 1967, um ano depois do incêndio que havia destruído o espaço. Dedicado a Glauber Rocha, que vinha da realização de seu filme "Terra em transe", "O rei da vela" subia ao palco pela primeira vez trinta anos depois de sua publicação, numa versão que se pretendia um espetáculo-manifesto, como diz Martinez Corrêa. E a montagem acabou por tornar-se, de fato, uma espécie de representante no teatro do movimento tropicalista, em razão da visualidade e interpretação fortes, apoiadas em procedimentos paródicos, grotescos e de deboche. O compositor Caetano Veloso conta no livro "Verdade tropical" (1997) que assistiu a uma das apresentações da peça poucos dias depois de escrever a música "Tropicália", cujo título, sugerido pelo produtor de cinema Luis Carlos Barreto, era inspirado no trabalho homônimo do artista Hélio Oiticica. A peça de Oswald narra a condição subdesenvolvida e de dependência econômica do Brasil através da saga de um industrial de velas, arruinado por dívidas contraídas com um imperialista norte-americano.

b- Valores Tropicais

c- Mistura tropicalista

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Researcher
José Augusto Ribeiro
Team
FAPESP, Sao Paulo, Brazil
Credit
Available through Archivo virtual artes escénicas, UCLM, Spain