Documents of 20th-century Latin American and Latino Art

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  • ICAA Record ID
    1110451
    TITLE
    O boom, o pós-boom e o dis-boom / Carlos Zilio, José Rezende, Ronaldo Brito, Waltercio Caldas Jr.
    IN
    Opinião (Rio de Janeiro, Brasil). --- No. 200 (Setembro 3, 1976)
    DESCRIPTION
    p. 25- 28 : ill.
    LANGUAGES
    Portuguese
    TYPE AND GENRE
    Journal article – Essays
    BIBLIOGRAPHIC CITATION
    Zilio, Carlos, José Rezende, Ronaldo Brito and Waltercio Caldas. "O boom, o pós-boom e o dis-boom." Opinião (Rio de Janeiro, Brazil), no. 200 (September 3, 1976): 25- 28.
    GEOGRAPHIC DESCRIPTORS
Synopsis

This article, jointly written by Carlos Zílio, José Rezende, Ronaldo Brito, and Waltércio Caldas Jr., discusses Brazilian art in the mid-1970s and examines its connection to the local market, a relationship that affected both the circulation and the institutionalization of local art. Until that time, artists and buyers dealt directly with each other and art was usually sold without any intermediaries. During a period of galloping inflation in 1970–73, the art market replaced the stock market as a place in which to invest capital, which created a sort of financial “boom” whose effects subsequently prompted sarcastic articles with titles such as “posboom” and “disboom”. According to the authors, this phenomenon did not create a true art market in Brazil (one that dealt with local artists and was concerned with developing the history of Brazilian art). As distinct from what happens in international markets, where the institutionalization of art is a result of its participation in the historic process (a product of the interaction between art production and the market), in Brazil works of art are evaluated independently of the market, which deals in art that has already been institutionalized. The Brazilian art market is thus not an agent for the activation of works of art; it is an agent for the appropriation of works of art, and has absolutely nothing to do with the development of a history of local art. It is precisely because there is no history of Brazilian art that the distinctions between the various artistic languages are also not clearly defined; they can, however, be manipulated in a variety of ways. This accounts for one of the characteristics of the art of the 1970s, which was less concerned with formal ruptures than with the development of a different “point of view” about art and its cultural and ideological insertion into the most precarious areas of the terrain it explored.    

Leia esta sinopse em português
Synopsis

O texto analisa as condições da produção artística no Brasil, em meados dos anos 1970, e suas relações com o mercado local, pelas quais se definem a circulação e a institucionalização do trabalho de arte. Até então havia no país um comércio rarefeito praticado diretamente entre produtor e consumidor, quase sempre na ausência de intermediários. Num período de inflação galopante entre 1970 e 1973, o mercado de arte serviu de alternativa ao mercado de capitais como aplicação econômica e atravessou uma espécie de "boom" comercial, cujos efeitos nos anos seguintes são ironizados no artigo pelos termos "pós-boom" e "dis-boom" do título. O fenômeno, dizem os autores, não correspondeu à formação de um verdadeiro mercado de arte no Brasil, instância capaz de transacionar com a produção local e interessada na construção de uma história da arte brasileira. Diferentemente do que ocorre nos mercados centrais, onde a institucionalização de trabalhos resulta de sua inscrição no processo histórico decorrente do confronto entre produção e mercado, a avaliação dos trabalhos é aqui estranha ao mercado, operador de uma produção já institucionalizada. O mercado de arte no Brasil seria não um agente de ativação, mas de apropriação do trabalho de arte, alheio à formação de uma história da arte local. E justamente por não existir uma história da arte brasileira, a distinção entre as linguagens artísticas não são claras: é possível manipula-las indistintamente. Daí que uma das características da produção emergente nos anos 1970 é preocupar-se menos com rupturas formais do que com a construção de um "ponto de vista" diferente acerca da arte e de sua inserção, cultural e ideológica, no solo institucional precário onde opera.

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Annotations

This article, signed by the art critic Ronaldo Brito (b. 1949) and the artists Carlos Zílio (b. 1944), José Rezende (b. 1945), and Waltércio Caldas Jr. (b. 1946), discusses the Brazilian art world in the mid-1970s, a time when a significant number of Brazilian artists were involved in developing strategies to promote an alternative means of circulation for their works. The article criticizes both nationalist and cosmopolitan approaches; the former were in favor of national unity, and the latter were inspired by a wish to introduce to Brazil the institutional model of art used in the major power centers of the world. In the authors’ view, these are two versions of the same desire to reject Brazil’s contradictions, either to satisfy a yearning for an order that overrides local ambiguities, or to gain recognition for an imaginary sense of international accommodation. In their article, Brito, Zílio, Rezende, and Caldas are defending a critical approach in the artistic discourse that is prepared to question the links between art and society at a moment of genuine transition such as the one in question. This was something that could only happen (in the public context of a debate) if “the contemporary readings” could apply to the “contemporary languages” that were being defended at the time.    

Leia este comentário crítico em português
Annotations

O artigo assinado pelo crítico de arte Ronaldo Brito e pelos artistas Carlos Zílio, José Resende e Waltercio Caldas marca posição em relação ao meio da arte no Brasil em meados dos anos 1970, quando parte significativa da produção artística local se volta à criação de estratégias para a circulação alternativa de seus trabalhos. O texto critica tanto as posições nacionalistas quanto as posições cosmopolitas assumidas, respectivamente, em favor de uma unidade nacional, a ser constituída por esquemas formais que se crêem brasileiros, ou movidas pelo desejo de implantar no país o modelo institucional da arte característico dos centros hegemônicos. Para os autores, trata-se de oposições marcadas por uma mesma recusa: a de enfrentar as contradições do Brasil, seja para cumprir um desejo de ordem que cala as ambigüidades do meio brasileiro, seja pela reivindicação de uma noção de contemporaneidade internacional imaginária. Brito, Zílio, Resende e Caldas defendem uma postura crítica do discurso da arte disposta a repensar a relação entre arte e sociedade perante um momento de transição como aquele. O que só poderia ocorrer, na dimensão pública de um debate, se houvesse a viabilização de "leituras contemporâneas" sobre as "linguagens contemporâneas" que vinham então sendo defendidas.

b- Ideologia da cultura nacional

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Researcher
José Augusto Ribeiro
Team
FAPESP, Sao Paulo, Brazil
Credit
Reproduced with permission of Ronaldo Brito and José Resende, Rio de Janeiro, Brasil
Carlos Zilio, Rio de Janeiro, BR
Location
Serviço de Biblioteca e Documentação ECA/USP