Documents of 20th-century Latin American and Latino Art

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  • ICAA Record ID
    1110422
    TITLE
    O tropicalismo é nosso, viu?
    IMPRINT
    São Paulo, Brasil : Abril, dez. 1968
    DESCRIPTION
    7p.
    LANGUAGES
    Portuguese
    TYPE AND GENRE
    Journal article – Interviews
    BIBLIOGRAPHIC CITATION
    O tropicalismo é nosso, viu?. Realidade, São Paulo, v.4, n.3, p.174-184, dez. 1968.
    TOPIC DESCRIPTORS
    GEOGRAPHIC DESCRIPTORS
Synopsis

This article describes Tropicalism as an enigmatic and ambiguous movement. It emerged from a fusion of a number of cultural expressions and forms in the wake of the rivalry that pitted the Jovem Guarda (who were fans of British Yeah-Yeah-Yeah and American Rock and Roll) against those who loved Bossa Nova, which was originally Brazilian. According to this anonymous article, it was not the musicians, but the painters and movie directors who were the first to be influenced by the international avant-garde, which, in those days, were the inspiration for cultural renewal in Brazil. The Grupo Oficina produced Oswald de Andrade’s novel, O rei da vela [The King of the Candle] as a play that reflected popular taste and therefore expressed the culture of “the tropics.” Glauber Rocha’s movie, Terra en transe, portrayed Brazil’s highly contradictory reality in terms that also appealed to popular taste. This press article quotes the theater director José Celso Martinez Corrêa, the musician Gilberto Gil, the conductor Rogério Duprat, the composer José Carlos Capinam, and the members of the band “Os Mutantes,” the Concrete poet Augusto de Campos, and the most popular master of ceremonies on Brazilian TV, Abelardo Barbosa, “Chacrinha”—who describes himself as the only true tropicalista. Representing the other side, the article quotes the journalists Sérgio Porto and Chico de Assis, who think the idea of Tropicalia is “a mais arrematada pilantragem” [total brazen dishonesty]; a different view compared to what had become the Brazilian standard since the emergence of the Bossa Nova.

Leia esta sinopse em português
Synopsis

A reportagem descreve o tropicalismo como um movimento enigmático e ambíguo, nascido da fusão de vários componentes e registros culturais, em seguida à briga entre, de um lado, os adeptos da jovem guarda ou iê-iê-iê, inspirados no rock inglês e norte-americano, e, de outro, os entusiastas da bossa nova, originalmente brasileira. Segundo o texto, não foram músicos, contudo, mas sim jovens pintores e cineastas, os primeiros a assimilar os influxos das vanguardas internacionais que estimulavam naquela época a renovação da cultura no Brasil. No teatro, a montagem d’"O rei da vela" do grupo Oficina captava criticamente o gosto das massas do país e, por meio dele, o espírito da cultura dos trópicos. No cinema, era "Terra em transe", de Glauber Rocha, que contrapunha uma contraditória realidade nacional ao tal gosto popular. A matéria traz depoimentos do encenador José Celso Martinez Corrêa, dos músicos Gilberto Gil, do maestro Rogério Duprat, do compositor José Carlos Capinam, dos membros da banda Os Mutantes, do poeta Augusto de Campos e do animador de programas de auditório na televisão Abelardo Barbosa, o Chacrinha, autodenominado aqui como o único tropicalista autêntico. De intelectuais contrários ao movimento, a revista reproduz declarações dos jornalistas Sérgio Porto e Chico de Assis. Para este, a tropicália é a "mais arrematada pilantragem", um desvio no curso que vinha seguindo a produção artística brasileira desde a bossa nova.

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Annotations

This article reports on a range of Brazilian artistic expressions to provide a selection of “tropical” values under the general heading of Tropicalism in the latter part of the 1960s. This movement was noted for its contradictory expressions that are in a state of constant renewal, and according to the anonymous author of this article, leave “a trail of questions” concerning their precise intentions. The inclusion of traditional elements of Brazilian culture with others that are more closely identified with contemporary European and North American culture has caused confusion concerning the exact ideological position taken by this generation of artists. This article speculates on whether recent creative works produced in film, the theater, music, and the visual arts are representative of a group response that seeks to break with ideas about “progress” that have been accepted until this point in time. Are they suggesting that Brazil will assume the role of “Third World Superpower”?  

 

The title of the article, “O tropicalismo é nosso, viu?” [Tropicalism is Ours, Get It?] is an allusion to the nationalist mood of the second Getúlio Vargas administration and the official campaign slogan “O petróleo é nosso” (whose goal was to support Petrobrás, the state oil company) that was used in the 1950s in defense of this non-renewable resource.

 

Relating to this article, see the essay by Hélio Oiticica about his work Tropicália [ICAA digital archive, doc. no. 1074985], and Celso Favaretto’s review of Tropicalismo and the songs that were part of this movement (doc. no. 1110507).

Leia este comentário crítico em português
Annotations

O artigo procura enfeixar diferentes manifestações artísticas no Brasil, na segunda metade dos anos 1960, sob o epíteto de tropicalismo, caracterizado como um movimento de expressões contraditórias, que se recriam a todo instante e deixam, nas palavras do autor, "um rastro de interrogações" sobre os objetivos de suas produções. A incorporação simultânea de elementos tradicionais da cultura brasileira e de outros identificados com a cultura contemporânea de Europa e EUA provocou confusões sobre o posicionamento ideológico desta geração de artistas. A reportagem se pergunta, por exemplo, se não seriam as criações recentes no cinema, no teatro, na música e nas artes plásticas uma proposta conjunta de abandono dos critérios de progresso aceitos até então no Brasil, para sugerir ao país a adoção do papel de "superpotência do Terceiro Mundo". O título faz alusão ao lema nacionalista da campanha "O petróleo é nosso", patrocinada pelo governo de Getúlio Vargas, nos anos 1950, em defesa da exploração exclusiva do petróleo brasileiro pelo Estado.

Ver também: Bar, Décio. Acontece que ele é baiano. 1968.

b- Valores Tropicais

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Researcher
Equipe Brasil: José Augusto Ribeiro
Team
FAPESP, Sao Paulo, Brazil
Location
Serviço de Biblioteca e Documentação ECA/USP