Documents of 20th-century Latin American and Latino Art

www.mfah.org Home

IcaadocsArchive

Document first page thumbnail
  • ICAA Record ID
    1110418
    AUTHOR
    Bar, Décio
    TITLE
    Acontece que êle é baiano
    IN
    Realidade (São Paulo). -- No.33 (Dez. 1968)
    LANGUAGES
    Portuguese
    TYPE AND GENRE
    Journal article – Interviews
    BIBLIOGRAPHIC CITATION
    BAR, Décio; VELOSO, Caetano; ZINGG, David Drew (fotog.). Acontece que êle é baiano. Realidade, São Paulo, n.33, p.187-198, dez. 1968.
    TOPIC DESCRIPTORS
    NAME DESCRIPTORS
    Veloso, Caetano
    GEOGRAPHIC DESCRIPTORS
    ADDITIONAL AUTHORS
    Veloso, Caetano; Zingg, David Drew
Synopsis

This article by Décio Bar is an interview with singer-songwriter Caetano Veloso; it includes a biography, as well as reflections on the turn that Brazilian culture took in the 1950s and 1960s. This was the peak of “the extremely optimistic patriotism that permeated the national conscience,” according to Décio Bar. Veloso states that this nationalistic purism rejected tropicalismo’s absorption of European-North American culture. The text recounts events that occurred during the show and later Opinião 65 exhibition, including television programs and MPB (popular Brazilian music) festivals. It defines concepts that provide an orientation on tropicalismo: giving “traditional” elements of Brazilian culture a modern treatment. The singer-songwriter also describes the discussions that occurred among the noted artists of the movement, such as Gilberto Gil and Gal Costa (singers), Torquato Nieto and Rogério Duprat (composers), Glauber Rocha (film director), José Celso Martinez Correa (playwright) and the visual artists Hélio Oiticica and Rubens Gerchman, whose works “Tropicalia” and “Lindonéia” provided the background for Veloso’s proposals.

Leia esta sinopse em português
Synopsis

Reportagem escrita a partir de entrevista com Caetano Veloso. Traz um perfil biográfico e profissional do compositor baiano, além de suas impressões sobre a cultura brasileira desde a virada dos anos 1950 para os 1960. O período é considerado por Décio Bar como o auge de um "ufanismo que se infiltrara nos poros da consciência nacional" e, sobre isso, Caetano menciona o purismo nacionalista que rechaçou a aproximação do tropicalismo com a cultura euro-norte-americana. O texto narra episódios relacionados ao show Opinião (1965) - que inspirou a exposição homônima no MAM-RJ, no mesmo ano -, a programas de TV e festivais de música da época. As declarações de Caetano Veloso reproduzidas aqui definem algumas idéias norteadoras do tropicalismo, entre elas, a de conferir um tratamento moderno ao que havia de mais tradicional na cultura brasileira. O compositor descreve, ainda, os encontros e as discussões travadas entre ele, o colega Gilberto Gil, a cantora Gal Costa, o poeta Torquato Neto, o maestro Rogério Duprat, o cineasta Glauber Rocha, o encenador José Celso Martinez Corrêa e os artistas Hélio Oiticica - autor do trabalho "Tropicália", cujo título Caetano emprestou para o nome de sua canção-manifesto - e Rubens Gerchman - cuja obra "Lindonéia" também inspirou música homônima de Caetano.

Revert to English synopsis
Annotations

In his article, journalist Décio Bar cites statements by singer-songwriter Caetano Veloso regarding the stance assumed by various participants in Brazilian arts and culture in the second half of the 1960s that were linked to “tropicalismo,” a discussion that centered on music. Veloso mentions the hardening of Bossa Nova in connection to its radicalization and the significance of the new [“bossa”] of the jovem guarda [young guard] of Roberto Carlos and rock ’n’ roll (from the Beatles to Jimi Hendrix). He also mentions the mixed repertory of the old Brazilian guard with urban influences emerging from São Paulo (factories, TV, cartoon magazines and the propaganda that influences his work). Veloso defines tropicalism as an attempt to overcome Brazil’s under-development, based on a fusion of the “Kitsch” element of national Brazilian culture with the elements of advanced industry. To the left, Veloso was insane, while the right regarded him as a “communist,” both views due to the motto he upheld: “exercise of total freedom,” similar to the stance advocated by critic Mário Pedrosa, who referenced the (anti)aesthetic experiments of Hélio Oiticica and Lygia Clark as an “experimental exercise of freedom.”

 

The title of the text alludes to the song Acontece que eu sou baiano by composer Dorival Caymmi.

Leia este comentário crítico em português
Annotations

O artigo do jornalista Décio Bar reúne declarações do compositor Caetano Veloso sobre a posição de importantes nomes da produção artística, em relação à cultura brasileira, na segunda metade dos anos 1960, ligados diretamente ou não ao que se convencionou chamar de tropicalismo. O debate sobre o tropicalismo ganha contonos mais claros em torno da música, Veloso menciona o engessamento da radicalidade da bossa nova e o significado de novidade que tinha para sua geração a jovem guarda de Roberto Carlos e o rock’n’roll de Beatles e Jimi Hendrix. O cantor cita, também, a mistura de um repertório tradicional, da velha guarda de cantores brasileiros, com as características da vida urbana numa cidade cosmopolita como São Paulo, onde os universos das fábricas, da televisão, das histórias em quadrinhos e da propaganda passavam a influenciar suas criações. Caetano Veloso define o tropicalismo como uma tentativa de superar o subdesenvolvimento brasileiro, a partir, justamente, do elemento "cafona" da cultura nacional, fundindo-o ao que houvesse de mais avançado industrialmente. Por essas ambivalências, o compositor era tido pela esquerda política do país como um alienado e, pela direita, como um comunista. Talvez a confusão se desse em conseqüência do lema que Caetano dizia ter adotado, do "exercício da liberdade total", expressão muito parecida com um outra, cunhada por Mário Pedrosa, para se referir às pesquisas estéticas de Hélio Oiticica e Lygia Clark como resultados de um "exercício experimental da liberdade". O título desta reportagem é alusão à música "Acontece que eu sou baiano", do compositor Dorival Caymmi.

Ver também: O tropicalismo é nosso, viu?. 1968

b- Valores Tropicais

c- Mistura tropicalista

Revert to English annotations
Researcher
Equipe Brasil: José Augusto Ribeiro
Team
FAPESP, Sao Paulo, Brazil
Location
Serviço de Biblioteca e Documentação ECA/USP