Documents of 20th-century Latin American and Latino Art

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  • ICAA Record ID
    1074985
    TITLE
    Tropicália / Helio Oiticica
    IN
    Tropicália : uma revolução na cultura brasileira (1967-1972). --- São Paulo, Brasil : Cosac Naify, 2007
    DESCRIPTION
    p. 239-241
    LANGUAGES
    English
    TYPE AND GENRE
    Book/pamphlet article – Essays
    BIBLIOGRAPHIC CITATION
    Oiticica, Hélio. "Tropicália."  In Tropicália: uma revolução na cultura brasileira (1967-1972), 239-241. Exh. cat., São Paulo, Brazil:  Cosac Naify, 2007.
    TOPIC DESCRIPTORS
Synopsis

Hélio Oiticica describes the origins of his work Tropicália, which he associates with the exhibition, Nova Objetividade Brasileira, and the idea behind this event that was held in Rio de Janeiro in 1967. Oiticica believes that avant-garde styles should be adapted to make them compatible with a Brazilian outlook, and claims to be a pioneer for having been the first to describe the cultural anthropophagy of Oswald de Andrade (1928) as a possible characterization of Brazilian identity. This idea was later expressed in Oswald’s play, O Rei da Vela [The King of the Candle], which was representative of Brazilian social concerns and commitments in the 1930s. The play was directed by José Celso Martinez Corrêa and appropriately staged at the end of the military dictatorship (1983). Oiticica describes other earlier experiences, such as the samba, the hillside (with the inhabitants and architecture of the favelas, or shanty towns), art in the street, and unfinished things related to the creation of his series of wearable paintings or parangolés (as they were called on the street). Speaking of Tropicália, the artist explains that he used a typical tropical scene in an attempt to recreate the experience of moving around the morro [the hillside where the favela is located], therefore creating a sense of the image as it would be seen on a television screen. He believes that elements of this nature could be used to create a uniquely Brazilian language as opposed to the international images (of Pop or Op art) that were widely used by local artists in those days. Oiticica criticizes the way in which his work is incorrectly linked to the “tropical” music movement, condemning its misuse as a fashion commodity. Apropos of this subject, he warns that the existential aspect of experience cannot be packaged and consumed because it is of a “supra-sensory” nature, an idea that is based on total freedom and the ability to overcome a sense of alienation. In his opinion, “tropicality” is much more than macaws and bananas. It is a nonconformist, revolutionary conditioning against the establishment.    

Leia esta sinopse em português
Synopsis

Hélio Oiticica relata o surgimento da obra Tropicália, que relaciona ao conceito e à exposição Nova Objetividade Brasileira. Afirma a necessidade de caracterizar a vanguarda por um estado brasileiro. Considera-se o pioneiro a invocar a antropofagia de Oswald de Andrade como tentativa de caracterização nacional, fato que seria retomado na encenação teatral de O Rei da Vela. Descreve experiências anteriores com o samba, o morro, a arquitetura das favelas, a arte das ruas e coisas inacabadas relacionadas à formulação do Parangolé. Sobre Tropicália, conta que foi usado um cenário tropical para recriar a experiência de andar pelo morro, e configurado o sentido imagético no receptor de tv. Acredita que tais elementos poderiam criar uma linguagem brasileira que fizesse frente à imagética internacional pop e op, que era dominante entre artistas brasileiros. Critica a transformação da Tropicália em tropicalismo, ou seja, a sua absorção consumista como moda. Adverte que o elemento vivencial e existencial não pode ser consumido, sendo o que denomina  supra-sensorial, uma proposta fundada na máxima liberdade para vencer a alienação. Tropicalidade seria mais do que araras e bananeiras, ou melhor, um não-condicionamento às estruturas estabelecidas, portanto, anti-conformista e revolucionária.

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Annotations

Tropicália is the title of an installation created by the artist Hélio Oiticica (1937–81) for Nova Objetividade Brasileira, the exhibition that was held at the Museu de Arte Moderna in Rio de Janeiro in April 1967. There was actually a song with the same title by the singer-songwriter Caetano Veloso in late 1967, and an album by MPB [Popular Brazilian Music] subsequently composed in mid-1968. The term, coined by Oiticica, inspired the Brazilian cultural movement called Tropicalismo or Tropicália that was originally a force in the field of popular music, and was then adopted by the theater and the movies. 

 

This essay, which was written in March 1968, but was not published until January 8, 1984, in the supplement of the Folha de S. Paulo newspaper, challenges the suggestion made a month earlier by the journalist Nelson Motta. By claiming to be a pioneer because the essential meaning of his work Tropicália is based on its experiential nature rather than tropical images, Oiticica reaffirms his original idea and seeks to discourage the urgent, superficial, mass consumption unleashed by the uncontrollable popular reaction to “tropicalism.”  

 

Oiticica uses the term “hybrid” to mean a sterile crossbreeding that bears no fruit and is therefore meaningless, as the total opposite to the idea of a “mishmash” or “mestizo” situation as the melting pot of a multiracial culture, such as the one in Brazil. 

 

It should be noted that the 1960s Brazilian idea of “New Objectivity” is not the same as the 1920s and 1930s German version, Neue Sachlichkeit that was used during the Weimar Republic (1919–33) to mean a focus on public life in the visual arts, literature, music, and architecture. The original idea of “objectivity” suggests a predilection for the functional, conscious, and useful, which in turn rejects romantic idealism, and at times, verges on objectification.

Leia este comentário crítico em português
Annotations

Tropicália é o título de um ambiente criado pelo artista Hélio Oiticica para a exposição Nova Objetividade Brasileira, realizada em abril de 1967 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e que foi utilizado para nomear uma canção do cantor e compositor Caetano Veloso, ao final de 1967, e posteriormente um álbum musical composto coletivamente, em meados de 1968.  O termo teria dado origem ao movimento cultural brasileiro denominado de Tropicalismo ou Tropicália, que se desenvolve principalmente na música popular, com aproximações ao teatro e ao cinema.
Escrito em março de 1968, mas apenas publicado no suplemento Folhetim do jornal Folha de S. Paulo, a 8 de janeiro de 1984, esse ensaio se contrapõe à idéia de tropicalismo anunciada pelo jornalista Nelson Motta um mês antes. Ao declarar seu pioneirismo e afirmar que a idéia principal de Tropicália estaria em seu aspecto vivencial, e não nas imagens tropicais, Oiticica reafirma sua proposta e busca refrear o consumo imediato, superficial e em massa do tropicalismo.
O termo "híbrido" é usado por Oiticica com o significado de um cruzamento estéril, que não gera frutos, por isso vazio de sentido, em oposição à "miscigenação", que gera uma cultura mestiça e fértil.

Ver também:
OITICICA, Hélio. Esquema geral da nova objetividade. Nova objetividade brasileira. Rio de Janeiro: Museu de Arte Moderna, 1967.
Motta, Nelson. Cruzada tropicalista. Ultima Hora, Rio de Janeiro, 5 fev. 1968. Coluna Roda Viva.

b- Valores Tropicais

c- Mistura tropicalista

c- Particularidades da vanguarda no Brasil nos anos 60: abordagens do realismo e consciência da realidade brasileira

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Researcher
Marco Andrade
Team
FAPESP, Sao Paulo, Brazil
Credit
© César e Claudio Oiticica
Location
Museu de Arte Contemporânea - MAC/USP